lunes, 5 de octubre de 2009
Será que a imagem que eu mantenho de mim está sendo questionada de forma definitiva? Continuo me vendo como alguém especial. Mas cada vez mais essa visão de mim se transforma em uma caricatura. Parece que virei personagem de Woody Allen e penso que sou algo maior do que realmente sou. Meus valores, minha vaidade, meu orgulho. Tudo colocado em dúvida. Tudo questionado. Talvez a vida seja isso mesmo. E o meu maior aprendizado seja ver que não sou, realmente, muita coisa. Meu ego! Coitado do meu ego! Não posso nem falar nada porque perdi, aos poucos, minhas bases.
martes, 15 de septiembre de 2009
Influências do ambiente
O tarô disse que vou sofre influências do ambiente para que tudo dê certo. Na verdade, ele disse que isso já está acontecendo. Talvez hoje, ou amanhã, mas certamente até sexta feira. Tarô devia ser como psicanalista: uma vez por semana.
Eu gosto daqui. Mas não acho que aqui tem tudo. Não tem praia e a internet sempre cai. E tem tanto espetáculo artístico gratuito que eu nem posso usar a falta deles como desculpa e evitar sem informada o tempo todo. Aqui todo mundo tem uma opinião acerca de tudo o que é importante no mundo. Todo mundo sabe como lidar melhor com o planeta, como comer bem, como ser mais enclarecido, quais os melhores grupos de dança, música, teatro e ainda tem uma mostra enorme que passa ums 50 filmes ao mesmo tempo. Mas porque tanto se não tem praia e o Franz café é caro mesmo com a internet caindo o tempo todo? Isso tudo é pra substituir a falta de natureza? E porque todo mundo fica tão chocado quando eu digo que não faço nada. Nada. Mas tomo cerveja, o que gera renda. Então não ocupo apenas um espaço, mas também uma função, a de tomar cerveja. De preferencia nos poucos bares baratos de São Paulo.
lunes, 27 de julio de 2009
A felicidade é uma máquina de suco
A felicidade é uma máquina de suco, daquelas que vendem na TV. Só não me disseram que preciso de 3 abacaxis para um copo. Com casca e tudo.
martes, 21 de julio de 2009
martes, 14 de julio de 2009
eu agora estou em casa. em um estado de paz tão pleno que acordo cedo e caminho na praia. tiro a blusa pra sentir o sol e ando na areia, no calcadão e na vida. feliz, não sei até quando. parece que não tenho nenhum medo e nenhuma ambição. nenhum querer. só a vontade de ficar assim, aqui. minhas necessidades, agora são diárias, senão momentâneas. sinto fome e como, sinto inquietude e caminho, me sinto suja e me banho. sem amores, sem promessas e com o passado cada vez mais distante. parece que nunca vivi outra vida, nem aqui nem lá. nem nunca. só me interessa sentir os gostos familiares. tão familiares que nem parecem saudade, pois sempre estiveram aqui e quando senti falta foi de mim.
lunes, 6 de julio de 2009
menina do casaco verde
eu quero o hálito quente e desesperado. quero querer de doer. de me partir e me fazer parir várias outras dores. quero as marcas na minha alma. pingando gotas de sangue de uma ferida enorme e aberta. que não me deixa querer e me faz ser assim. e me faz torturar os outros sem respeito nenhum. porque posso ser cínica se não dói, se não amo, se não quero. já tenho essa dor, à qual me apego ferozmente para me provar que ainda sinto algo. e não quero a outra vida. nem essa mais. mas mais essa que a outra. quero mais essa. chutada a apontada. menina do casaco verde. e todos percebem, todos percebem.
O que me dói é não conseguir me perder de mim
Eu penso agora em um som. Imposível de escrever aqui. Impossível porque não tenho as notas. Mas me segue quando ignoro solenemente a música cantada em espanhol de acá. E sinto o que poderia ter tido, sido e vivido. Se ao invés de pernambucana fosse cordobesa e cantasse Charly Garcia como un recuerdo de lo que ha vivido nos seus tempos de adolescente. E reconhece quando falam, cordobeses lhe perseguem. E eu acho lindo e quero o mundo. Quero casa, amigos e algo seguro e antigo mas também quero Córdoba e Jujuy. E Medellin, que para mim parece um paraíso perdido e desconhecido só porque gosto dos de lá sem nunca ter ido. Mas quero também cantar com os meus, gritar com os meus e rir das piadas entendidas e familiares. Brincar com meus códigos, gostos e sons. E penso mais uma vez nessas notas e nas primeiras palavras de uma música em português. E em como se sonha em córdoba ou em um apartamento habitado há anos por uma família porteña que sempre viveu na calle junín. O que me dói é não conseguir me perder de mim.
Lima - Lemon
Hoje comecei a ficar triste. Na verdade, desde que cheguei aqui me equilibrei entre pontos extremos. Parece que adoeci, que virei mais um clichê de juventude tardia atormentanda por doenças psicológicas que só podem ser curadas por anti-depresivos. E eu não tomo, pois a cerveja me devolve a um estado de ânimo que me faz gostar disso tudo. Agora, no fim, comecei a tentar atar uns nós e a ter reencontros. Fiquei triste com o rosto redondo que me sorriu com mágoa. Porque perdeu tempo e eu fui embora. Até quinta teríamos tempo para uma avetura, ele me disse, mas eu tive medo, e quiz voltar cedo par dormir na hora certa. Dormi, e acordei duas horas depois. Agora chove e já deveria ter amanhecido há cerca de 30 minutos. E eu espero, me impondo regras, bairros e idéias. E não sei se voltar me faz feliz, se ficar me traz algo ou se consigo viver bem depois disso tudo. Porque tanto apego se nem gosto daqui? Porque esse amor negado e ressentido? Todos os meus impulsos foram de destruição, nada construtivo, estável ou regular. Só as noites, essas regulares e comprometidas com bares e circusntâncias algumas vezes amedrontadoras. E agora, o que me resta? Talvez uma tentativa enlouquecedora de controlar meu sono, meus desejos e minhas refeições. Civilizados, sem sexo por que a buceta grita e sem acreditar em aventuras. Mas eu quero. E tenho cada vez mais medo.
sábado, 4 de julio de 2009
Eu estava andando na rua de madrugada. Não procurava achar uma reflexão ou sentido para a vida, mas sim um sexo sem palavras que não as da cama, sem nomes e sem gostos. Na verdade eu não queria uma pessoa, queria um pênis, uma boca, mãos e algo rápido. Eu só queria gozar, pegar minhas coisas e ir embora. Consegui, na rua Godoy y Cruz. Ele me viu de costas, de botas, casaco, vestido e meias. Conversamos e fomos ao seu apartamento. Ele me chupou até que eu gozasse. Errou, pois depois do gozo viro eu. E quando viro eu sinto medo de tudo em que posso me transformar. Da bebida, que me enlouquece. Dessas horas de cio, quando me esfrego em pessoas no metrô ou no ônibus, em busca de algum prazer. Mas depois gozo e travo, com minha culpa cristã me atormentando. E ele queria carinho, dormir abraçado e se tornar humano. Saí quando ele foi ao banheiro. Satisfeita e mas uma vez tentando ficar calma e centrada. Usei seu corpo, fui embora sem me despedir e agora me sinto culpada. Mais uma vez.
jueves, 2 de julio de 2009
eu devia ter saído. mesmo com a gripe e com um corpo que não quero. devia ter saído, de máscada, bufanda, remédios tomados e laranjas comidas. devia ter dado meu corpo, ou pedido ajuda de alguém. agora fico aqui, com esse som me atordoando e mais uma vez sem conseguir dormir. por minha culpa, que tive medo. por minha culpa e vontade de ir embora. por minha culpa, que já perdi 3 vidas e só tenho mais 4. devia ter continuado gato, e saído pela noite por que tenho mais vidas. mas gato fui, apanhei, me chutaram e me incomadam num sono que eu deveria ter tido. me interompem quando me limpo, porque são sujos e acham isso vulgar. mas eu me limpo, e incomodo quando posso. com vontade de ir embora, e esquecer de mais uma vida.
domingo, 28 de junio de 2009
Eu amei tanto que quiz fazer fogo. Tentei e desisti, porque não aguentava amar mais. Ficou lá, em algum lugar do passado, mas tenho as imagens do fogo e algumas cicatrizes que mostro orgulhosa. Podia ter perdido partes de mim, mas só me queimei um pouco. E as partes que perdi depois? Em um amor que imaginei sem feridas e que me deixou sem pés e sem unhas nas mãos?
Do teu corpo só sinto falta da temperatura morna. Quase quente, aquecendo a água fria do chuveiro antes de tocar em mim. Não sinto falta do teu sexo, entrando sempre seco. Nem da tua boca breve, que nunca entrava em desespero. Os amores, os ódios e os anos me são lembrados sempre por pequenas passagens. As tuas se resumem nas pernas entrelaçadas debaixo da mesa. Cigarros, cervejas e algo bom prestes a acontecer. Você me quis e me tomou, sem novas passagens. Um dia, ficamos sem sentidos ou datas comemorativas. Vivemos um fim de amor ateu, com pequenas mágoas presentes em cada despertar sem beijos. E o nosso amor, que dizia-se sem rituais, acabou seguindo todos os passos já contados nas histórias vulgares do cotidiano.
Você apareceu quando eu estava atenta. Cansada, marcada, porém atenta. Nos beijamos, abraçamos e estabelecemos uma relação onde o sexo se faz presente. O sexo e os fantasmas. O sexo. E os rancores pequenos que irão mudar nossos rostos e nossas vozes. Passarei a me pintar menos, a sorrir menos e a dormir na hora certa. E você? A culpa será sempre minha, não tenha dúvida.
Nunca recebi flores, nem amores além dos que me eram devidos. Talvez tenha começado a amar tarde demais, e conseguido apenas aqueles que já não se dedicavam com bravura ao amor. Não lembro de ter sido a primeira decepção. Talvez tenha sido o primeiro amor platônico de alguém na primeira série. Retratos de mim, lembranças escondidas de alguém que deve ter dois filhos e viver às voltas com as contas a pagar. Enquanto isso, penso em não perder meu resto de juventude. Corto os meus cabelos e tenho medo de continuar parada, em busca de algo mais ou menos para dividir contas e rancores.
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