miércoles, 21 de julio de 2010

Ando bem propensa ao sofrimento, mas nada acontece e o sono não chega. outrodia, outrodia, outrodia, amanheceu faz mais de uma hora, acordei depois de duas horas de sono e um pesadelo e não durmi mais.
O outro fim foi traumático, eu achei de ia me partir ao meio e procurei aliviar a dor de todas as formas possíveis. Até que tive que ir embora, não aguentava ficar mais na minha casa, na minha cidade, com os meus amigos e minha família porque tudo me lembrava que eu estava só, que tinha acabado. Agora é diferente, eu sonho mas lembro muito pouco dele, na verdade tenho mais pena dele do que algum resquício de dor. Como eu posso ter passado esse tempo sentindo apenas pena de um homem tão bonito? Até o tesão tava virando pena. Acho que tinha pena por saber que ele nunca ia conseguir fazer com que eu me apaixonasse. Mas mesmo assim, mesmo sem ter amado, mesmo sem ter cogitado a possibilidade de me apaixonar, ficam pequenas marcas que não acrescentam em nada, pois não remetem a algo feliz ou íntimo, mas apenas a algo cotidiano e necessário. Sexo. Relacionamento. Só porque não tenho nada melhor para fazer com minhas emoções. Será que depois de tanta dor me bloqueei? Será que não vou mais conseguir amar? A possibilidade de passar por um fim como o anterior novamente me amedronta, mas eu quero algo para sentir, algo para lembrar, mesmo que bloqueie essas boas lembranças depois por elas virem junto com a dor. Ela não me faz mais chorar no meio da rua, mas existe.

lunes, 5 de julio de 2010

Coisas que fazem meu coração bater mais depressa

Quando comecei a pensar em escrever ouvi a voz da francesa. A narração era dela, mas as palavras que juntei não sairiam jamais daquela boca. As minhas, são palavras de uma voz desafinada, anasalada. E aquela boca diz verdades maiores. Ela é ausente de tons infantis e quando caminha, apresenta movimentos seguros. Os meus são desastrados. Eu ando com uma bolsa bonita e pequena, que não consigo segurar direito. A voz usa bolsa de couro marrom, bem ajustada no braço direito e com o tamanho exato para que todos os itens necessários ao seu dia se acomodem. Ela falou na lista. Coisas que me arrepiam: sinos. o cheiro das manhãs de minha infância. pequenas dores, como a que sinto quando mordo a afta para que ela doa um pouco mais. Coisas que me afligem: o amanhecer do dia chegando e o sono ainda distante. a cólera que anuncia o fim, a perda, o ciúme. Coisas que fazem o coração bater mais depressa: fumar escondido. olhar alguém que passa na rua e não me interessa realmente, com um olhar mais demorado e detalhado do que o geralmente destinado a esses passantes, a pessoa vira, percebe meu olhar, e caminha mais rápido, apreensiva e incomodada. avistar de costas um homem que já me amou, alguém que já foi meu e hoje é um estranho.