martes, 26 de enero de 2010

Quando penso no ano passado só lembro do que não consegui. Passei o ano todo em busca de algo, primeiro, de um esquecimento. Queria esquecer como era me sentir uma ex, e hoje, esqueci. Esqueci. A pessoa, o objeto de desejo, e não a dor. Por isso fiquei tão tocada quando vi sans soleil, por ter percebido de imediato que a dor já tinha seu espaço ocupado em mim. Mas bem, consegui me sentir outra coisa, hoje, o lugar que ocupo no mundo independe de minha situação anterior, ou depende, como tudo o que fiz, mas não é mais tão definidor. Talvez esse tenha sido realmente meu único objetivo ao ter fugido, e olhando por essa ótica sou uma vitoriosa, pois consegui o que queria. Mas porque tive que perder tanto? Agora, e nos últimos meses, tenho me torturado todo o tempo. Hoje, por exemplo, passei a ter medo de sair de casa durante os próximos 10 dias porque, segundo o meu horóscopo, posso fazer alguma merda por motivos fúteis e "me queimar" com as pessoas. E o que mais me amedronta não é essa possibilidade, mas sim ter me tornado tão fraca a ponto de me torturar por um horóscopo ou tarô que nunca se concretiza nas boas promessas e que talvez me coloque emocionalmente sucetível às más. Não acredito, sinceramente, que uma transa casual possa aparecer com tanta força nas cartas, mas tento me convencer disso para não parecer que tive um fracasso completo na busca por um amor porteño. Porque tanta insegurança? Pela volta. Essa volta me atormentou desde antes de colocar os pés fora de casa, e agora me vejo pior que antes, torcendo por um telefonema para voltar ao trabalho do qual fugi quase um ano atrás. Valeu a pena, mas tenho medo de que tenha sido apenas isso. Tenho medo de não sair, de não viver, e de me torturar por cada passo dado nessa cidade onde minhas boas referências estão cada vez mais distantes de mim. Seguiram seu caminho, e eu tive que voltar.

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